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O que é inflação: o IPCA de hoje, a meta de 3% e o que ela faz com seu dinheiro

Fui ver o que a internet responde pra "o que é inflação" e achei desde verbete de enciclopédia até guia de corretora com tabela de 2021. Aqui eu explico o conceito com o IPCA de hoje, a meta de 3% que o Banco Central persegue por lei e o tamanho real do estrago quando a inflação sai do controle, com a hiperinflação brasileira medida em número oficial, não em frase solta.

O que é inflação: o IPCA de hoje, a meta de 3% e o que ela faz com seu dinheiro

Você vai ao mercado e o mesmo pacote de arroz custa mais caro do que custava seis meses atrás. Isso é inflação acontecendo no seu carrinho, não numa planilha do governo. O nome técnico é simples: aumento generalizado e persistente dos preços de bens e serviços. O efeito no seu bolso é ainda mais simples: o mesmo dinheiro compra menos.

Hoje, com o fechamento de junho de 2026, a inflação oficial do Brasil acumula 4,64% em 12 meses, depois de subir 0,16% só no mês. Esse número muda todo mês, então não decore ele aqui: acompanhe sempre a página de IPCA deste site, atualizada direto do Banco Central quatro vezes por dia, com a data ao lado.

O número oficial, ao vivo

O índice que o Brasil usa para medir inflação chama IPCA, Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Ele é calculado e divulgado uma vez por mês pelo IBGE, e é a régua que o próprio Banco Central usa para decidir juros.

Procurei o assunto e achei guia por aí ainda mostrando tabela de 2021 como se fosse atual. Trabalho há uma década com growth e tecnologia, e reconheço o padrão na hora: manter um número vivo dá trabalho, e a página ranqueia igual mesmo com dado velho. Por isso a régua deste texto é diferente: o número certo é o que está agora na página de IPCA , não o que eu escrevo hoje e você lê daqui a seis meses.

Quem mede e como

Quem calcula o IPCA é o IBGE, não o Banco Central. Todo mês, uma equipe visita estabelecimentos em regiões metropolitanas, coleta preços de uma cesta de bens e serviços, e divulga o resultado por volta do dia 10 do mês seguinte. O IPCA de junho de 2026, por exemplo, saiu em 10 de julho de 2026.

Essa cesta representa o consumo de famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos em áreas urbanas pesquisadas. Não é a sua cesta pessoal, é uma média. Guarde essa ideia, ela explica uma das perguntas mais comuns lá no fim deste texto.

O Banco Central não recalcula nada disso. Ele só redistribui a série do IBGE pelo sistema SGS, a mesma fonte aberta que alimenta a nossa página de indicador quatro vezes ao dia.

De onde vem a inflação

No enquadramento que o próprio Banco Central usa, a inflação tem quatro origens possíveis. Pressão de demanda, quando muita gente quer comprar o mesmo produto e a oferta não acompanha. Pressão de custos, quando matéria-prima ou energia ficam mais caras e o preço final sobe junto. Inércia e expectativas, quando o mercado já espera inflação alta e reajusta preços e contratos adiantado, alimentando a própria previsão. E emissão de moeda, quando existe dinheiro circulando em excesso na economia.

Na prática, raramente é uma causa só. O que muda de um ciclo para outro é qual delas pesa mais.

A meta de 3% e o que acontece quando ela estoura

O Brasil tem regime de metas de inflação desde 1999. Desde 1º de janeiro de 2025, porém, mudou a mecânica: acabou a apuração por ano-calendário. O que conta agora é uma meta contínua, apurada mês a mês sobre o acumulado de 12 meses, a mesma janela que a página de IPCA mostra.

A meta vigente é 3,00% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cada lado. Isso dá uma banda de 1,50% a 4,50%. Mudar esse número exige decreto com 36 meses de antecedência, então não é algo que se altera do dia para a noite.

Se o acumulado 12 meses ficar fora dessa banda por seis meses seguidos, o presidente do Banco Central precisa publicar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, explicando as causas do desvio, as medidas tomadas e o prazo esperado de convergência. Isso não é hipótese: em 10 de julho de 2025, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, publicou essa carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pelo descumprimento da meta já sob a regra nova.

Com o IPCA em 4,64% no fechamento de junho de 2026, o acumulado está acima do teto de 4,50% da banda. Quantos meses seguidos isso já dura, e se uma nova carta está no horizonte, é leitura fina que muda toda semana. Prefiro apontar direto para a página de IPCA e para a página de Selic do que travar aqui uma contagem que envelhece rápido.

O instrumento que o Banco Central usa para tentar trazer a inflação de volta pra dentro da banda é a taxa Selic, definida pelo Copom a cada reunião. Hoje a meta da Selic está em 14,25% ao ano, com o próximo Copom marcado para agosto de 2026.

O que a inflação faz com dinheiro parado

Aqui a conta fica concreta. Com o IPCA acumulado em 4,64% nos últimos 12 meses, R$ 1.000 deixados parados, sem render nada, compram hoje o equivalente ao que R$ 955,66 compravam há um ano. Você não perdeu as notas, perdeu poder de compra.

Agora compare com o pior momento da história recente do país. Em junho de 1994, os preços subiram 47,43% em um único mês. No mesmo ritmo, os mesmos R$ 1.000 valeriam, em poder de compra, o equivalente a R$ 678,29 depois de só 30 dias. Não é typo: quase um terço do valor, sumido em um mês.

Gráfico de barras comparando o poder de compra de R$ 1.000 em dois ritmos de inflação diferentes: depois de 12 meses ao IPCA acumulado atual de 4,64% ao ano, restam R$ 955,66; depois de apenas 1 mês no pico da inflação de junho de 1994, de 47,43%, restariam R$ 678,29. São períodos diferentes, 12 meses contra 1 mês, não a mesma velocidade.

Quando o Brasil quebrou o medidor

Vale a escala histórica, com fonte oficial, porque ninguém usa isso com número de verdade. Em 1993, compondo os doze meses da própria série do Banco Central, o IPCA acumulou 2.477,1% no ano. Em junho de 1994, a inflação mensal chegou a 47,43%.

Foi nesse mês que o Brasil trocou de moeda: o real entrou em circulação em 1º de julho de 1994. O efeito aparece na mesma série, mês a mês:

Período

IPCA no período

1993 (acumulado no ano)

2.477,1%

Junho de 1994 (no mês)

47,43%

Julho de 1994, real em circulação (no mês)

6,84%

Agosto de 1994 (no mês)

1,86%

De 47,43% ao mês para 1,86% ao mês em dois meses. É a diferença entre um país sem âncora nenhuma para os preços e um país com meta de inflação, Banco Central e moeda estável. A banda de 1,50% a 4,50% que mostrei acima existe justamente para isso nunca mais acontecer.

Como se defender: rendimento real, não rendimento

O erro mais caro que vejo por aí é comparar taxa nominal direto com inflação por subtração. A conta certa é outra: dividir o fator do rendimento pelo fator da inflação, não subtrair um número do outro. É a equação de Fisher, e a diferença entre fazer certo e fazer errado pode passar de meio ponto percentual ao ano. Fiz essa conta aberta, com os números de hoje, no artigo sobre o IPCA acumulado 12 meses .

O que protege seu dinheiro não é só render, é render acima do IPCA. Tenho parte da minha carteira em Tesouro IPCA+ de vencimento longo justamente por isso: o título paga IPCA mais uma taxa contratada, então a primeira briga de qualquer carteira, a briga contra a inflação, já vem embutida no papel. Quem vende esse tipo de título antes do vencimento também precisa entender a marcação a mercado, porque o preço no meio do caminho oscila com a taxa de juros do momento, não com o IPCA do mês. Este simulador mostra o tamanho dessa oscilação.

Para comparar alternativas com a taxa de hoje, a calculadora de poupança, CDB e Tesouro e a calculadora de juros compostos fazem a conta certa, composta, não somada. E se você só quer saber quanto rendeu um valor específico, as páginas de quanto rende respondem direto.

Perguntas rápidas

Deflação existe?

Existe, é o oposto da inflação: queda geral e persistente dos preços. É rara e geralmente é sinal de economia fraca, não de vitória do consumidor, porque empresa que vende mais barato o tempo todo também corta produção e emprego. Não é o cenário do Brasil hoje: o IPCA acumulado está positivo e acima do teto da meta.

Inflação do mês e inflação em 12 meses são a mesma coisa?

Não. A variação do mês é só o resultado mais recente, sozinho: 0,16% em junho de 2026. O acumulado 12 meses soma o efeito dos últimos doze meses fechados, compondo fator a fator: 4,64% na mesma data. É o segundo número que importa para decisão financeira, porque um mês isolado sobe e desce sem contar a história toda. Detalhei essa janela móvel, mês a mês, no artigo sobre o IPCA acumulado 12 meses .

Por que a minha inflação parece maior que o IPCA divulgado?

Porque o IPCA é uma média nacional de uma cesta representativa, não a sua cesta pessoal. Se o seu orçamento pesa mais em aluguel, transporte ou comida do que a média da cesta do IBGE, você sente mais o item que subiu mais para você, mesmo com o índice geral estável. É percepção real, só que comparada com uma média, não com um erro na conta oficial.

O essencial

Inflação é a mesma quantia de dinheiro comprando menos com o tempo. No Brasil, quem mede é o IBGE, quem persegue a meta é o Banco Central via Selic, e a meta vigente é 3,00% ao ano, com banda de 1,50% a 4,50%, valendo desde 2025 no regime contínuo.

O número de hoje está sempre na página de IPCA , nunca fixo neste texto. A defesa contra a inflação não é escolher qualquer investimento, é escolher um que renda mais do que ela, com a conta certa, dividindo fatores, não subtraindo percentual. Antes de guardar dinheiro parado, pergunte: esse valor está rendendo acima do IPCA de agora, ou só parado, perdendo devagar?

Fontes e referências

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