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Quanto rende a poupança por mês: a conta oficial (não é só 0,5% + TR)

Fui atrás de "quanto rende a poupança por mês" e encontrei número de mais de um mês atrás, exemplo em reais congelado e a conta errada em quase todo lugar. Aqui está o número vivo de hoje, a prova de que 0,5% mais TR é composição e não soma, o detalhe do aniversário e a diferença entre poupança velha e nova que sobrevive à Selic.

Quanto rende a poupança por mês: a conta oficial (não é só 0,5% + TR)

Pesquisei "quanto rende a poupança por mês" agora há pouco e a primeira página do Google me devolveu um número de mais de um mês atrás, um exemplo em reais congelado desde a última reforma do post e pelo menos um site fazendo a conta errada. Não é falta de sorte. Trabalho há mais de uma década com growth marketing e tecnologia, e reconheço o padrão assim que vejo: manter um número atualizado dá trabalho, e a página ranqueia igual mesmo com dado velho.

Hoje, 17/07/2026, a poupança rende 0,6721% ao mês, dado de 16/07/2026 direto do Banco Central. Não vou te pedir para confiar nesse número parado aqui: ele está na página da poupança , atualizada direto do Banco Central quatro vezes por dia. Quando você ler isso daqui a um mês, o número lá já vai ser outro, e o raciocínio abaixo continua de pé.

A resposta curta: quanto a poupança rende agora

O rendimento mensal vigente é 0,6721% ao mês (SGS 195, dado de 16/07/2026), referente ao período que vai até 16/08/2026. É esse o número que cai na conta de quem tem aniversário de depósito nesse dia. Quem aniversaria em outro dia do mês vê um número ligeiramente diferente, porque a TR embutida na conta muda todo dia.

Isso não é "quanto a poupança sempre rende". É quanto ela rende agora, com a Selic no patamar de hoje. A regra que produz esse número é lei, e é ela que o resto deste texto abre.

A regra 0,5% + TR não é uma soma, é uma composição

Praticamente todo blog de banco resume a poupança como "0,5% ao mês mais a TR". A regra está certa, mas contada de um jeito que engana até quem tenta fazer a conta com cuidado: aquele "mais" não é soma, é composição.

Pela Lei 8.177/1991 (art. 12, com a redação da Lei 12.703/2012), a poupança tem duas remunerações em cada período. A TR corrige o saldo primeiro, como remuneração básica. Só depois os juros incidem sobre esse saldo já corrigido, como remuneração adicional. A fórmula certa é (1 + TR) × (1 + 0,005) − 1, não TR + 0,5%.

Vamos aos números de hoje. Em 16/07/2026, a TR do período fechou em 0,1712% (SGS 226). Somando na conta errada, TR mais 0,5%, dá 0,6712%. Fazendo a conta certa, (1 + 0,001712) × (1 + 0,005) − 1, dá 0,6721%. Bate, na casa decimal, com o valor que o Banco Central publicou para o mesmo dia (SGS 195).

A diferença de hoje é pequena, menos de um centésimo de ponto percentual. Mas ela nasce de um erro estrutural, não de arredondamento, e cresce com o saldo aplicado e com o tempo, porque a cada mês a composição incide sobre um saldo que já é um pouco maior. Em um extrato de anos, ou num patrimônio grande, a diferença deixa de ser desprezível.

A regra completa ainda tem uma condição. Os 0,5% ao mês só valem enquanto a meta Selic estiver acima de 8,5% ao ano. Hoje ela está em 14,25% ao ano, definida pelo Copom em 17/06/2026 (confira a Selic de hoje ), 5,75 pontos percentuais acima do gatilho.

Enquanto isso não mudar, a conta que abri acima é a que vale. Se a Selic um dia cair para 8,5% ao ano ou menos, muda a fórmula inteira, não só o número: a poupança passa a render 70% da meta Selic mensalizada, mais a TR. Não é o cenário de hoje, e não vou fingir que sei se ou quando isso volta a acontecer.

O que é a TR, e por que ela deixou de ser zero

A TR (Taxa Referencial) é definida pelo Banco Central a partir de uma cesta de taxas de captação de títulos bancários, com uma fórmula que pode zerar o índice quando os juros básicos estão muito baixos. Foi o que aconteceu entre 2018 e 2021: a TR passou anos rodando perto de zero, e um monte de gente aprendeu, errado, que a poupança rende só 0,5% ao mês, ponto final.

Não é bem assim. A TR voltou a ficar positiva quando a Selic subiu, e hoje ela sozinha já responde por uma fatia relevante do rendimento: em 16/07/2026, os 0,1712% da TR são quase um quarto do total de 0,6721% do mês. Ignorar a TR, ou tratar ela como sempre zero, é um erro que ainda aparece em blog que não foi atualizado desde o ciclo de juro baixo.

O aniversário: o detalhe que custa um mês inteiro de rendimento

A poupança só paga rendimento numa data por mês: o aniversário do depósito, o dia em que o dinheiro entrou (Lei 8.177/1991, art. 12, §3º e §4º). Contas abertas nos dias 29, 30 e 31 aniversariam no dia 1º do mês seguinte, porque nem todo mês tem esses dias.

A pegadinha real está no saque. Sacar um dia antes do aniversário zera o rendimento daquele mês inteiro sobre o valor sacado. Não é proporcional, não é "quase um mês", é zero. Se você sabe que vai precisar do dinheiro, vale checar a data de aniversário antes de escolher o dia do saque.

Poupança velha e poupança nova: o que mudou em 04/05/2012

Existem, tecnicamente, duas poupanças rodando ao mesmo tempo no Brasil, e quase ninguém fala sobre isso porque hoje elas dão na mesma conta.

Depósitos feitos até 03/05/2012 seguem a regra antiga: 0,5% ao mês mais TR, sem condição nenhuma, para sempre (Lei 8.177/1991, redação anterior à Lei 12.703/2012). Depósitos a partir de 04/05/2012 seguem a regra condicional da Lei 12.703/2012:

Meta Selic (Copom)

Rendimento da poupança

Acima de 8,5% ao ano

0,5% ao mês + TR

Igual ou abaixo de 8,5% ao ano

70% da meta Selic mensalizada + TR

Hoje as duas coincidem, porque a Selic está bem acima do gatilho de 8,5% ao ano. A diferença só reaparece se a Selic cair para esse patamar ou menos, como aconteceu em 2020 e 2021: quem tem poupança antiga continua nos 0,5% fixos, e quem abriu depois de maio de 2012 passa a render 70% da Selic, tipicamente menos. Se isso volta a acontecer, é assunto para outro texto, no dia em que a Selic chegar lá. Hoje é curiosidade estrutural, útil se você (ou alguém da família) tem uma caderneta bem antiga em algum banco.

Linha do tempo mostrando a regra estrutural do rendimento da poupança desde a criação da TR, em 1º de março de 1991: depósitos feitos até 03 de maio de 2012 seguem a Lei 8.177/1991, com juros fixos de 0,5% ao mês mais TR, sem nenhuma condição. Depósitos feitos a partir de 04 de maio de 2012 seguem a Lei 12.703/2012, que só garante os mesmos 0,5% ao mês enquanto a meta Selic estiver acima de 8,5% ao ano, caindo para 70% da Selic mensalizada mais TR se isso mudar. Hoje, com a Selic em 14,25% ao ano, as duas regras pagam exatamente o mesmo valor.

Quanto rendem R$ 1.000, R$ 10 mil e R$ 100 mil por mês

Não vou colar um valor em reais aqui, porque ele muda toda vez que a TR muda, e a TR muda quase todo dia útil. Prefiro te mandar direto para a conta pronta, recalculada com a taxa de hoje: quanto rende R$ 1.000 , R$ 10 mil e R$ 100 mil por mês na poupança, e de quebra no CDB e no Tesouro Selic, para comparar. Tem outros valores na página cheia de quanto rende .

A regra de bolso continua valendo enquanto a fórmula não muda: o rendimento é proporcional ao valor aplicado, então para ir de R$ 1.000 a R$ 10 mil basta multiplicar por dez. O que muda com a escala não é a taxa, é o quanto cada centavo de diferença entre a conta certa e a conta errada da seção anterior pesa no seu extrato.

Rendimento real: a poupança contra a inflação

Rendimento nominal não paga conta. O que importa é se a poupança rendeu mais que a inflação no mesmo período.

O IPCA acumulado em 12 meses até junho de 2026 está em 4,64% (IBGE via Banco Central, confira o IPCA de hoje ). Para comparar de forma justa, componho, e não somo, as leituras mensais oficiais da poupança (SGS 195) dos últimos 12 meses fechados: para um depósito com aniversário no dia 16, de julho de 2025 a junho de 2026, o acumulado fecha em 8,32%.

Nesse período específico, a poupança bateu o IPCA por uma margem de cerca de 3,5 pontos percentuais de ganho real, livre de imposto de renda. Isso não é garantia de nada para os próximos 12 meses, é só o retrato de um período que já fechou. E o número muda um pouco com o dia de aniversário que você escolher para compor, pelo mesmo motivo de qualquer acumulado: depende de data de corte e de período, não só da taxa do dia.

A vantagem que sobra: isenção de IR (só para pessoa física)

A poupança tem uma vantagem real, e é ela que sustenta a fama de "simples": o rendimento é isento de imposto de renda para pessoa física (Lei 8.981/1995, art. 68, III). Sem tabela regressiva, sem imposto retido, sem pensar em prazo para pagar menos.

Essa isenção não vale para pessoa jurídica com fins lucrativos. A mesma lei, no art. 69, revogou a isenção para empresas, e o imposto é retido na fonte. Se você administra o CNPJ de um negócio, o cálculo muda.

Fora esse recorte, isenção de imposto não é sinônimo de bom negócio. O Tesouro Selic e um CDB decente costumam pagar mais líquido de imposto do que a poupança isenta, na maior parte dos cenários. É a isenção sozinha que engana quem só olha essa linha.

Faça a conta com os números de hoje

Se você quer decidir entre poupança e outra coisa, a pergunta certa não é "quanto rende a poupança", é "quanto rende a poupança comparada com a alternativa, líquida de imposto, no seu prazo". Já abri essa conta em dois textos: poupança ou CDB, com a régua do empate e Tesouro Selic ou poupança, a conta líquida . Os dois usam a mesma regra que expliquei aqui, só que aplicada à decisão de onde colocar o dinheiro.

Para simular com o seu valor e prazo direto, o comparador de poupança, CDB e Tesouro Selic roda os três lado a lado com a taxa do dia. Quem quer abrir também para LCI e LCA tem a calculadora de CDB x LCI/LCA . E para projetar aportes mensais ao longo dos anos, a ferramenta certa é a de juros compostos , a mesma matemática de composição que expliquei lá em cima.

O essencial

A poupança não tem uma taxa fixa gravada em pedra. Tem uma fórmula, condicionada à Selic, que soma remuneração básica (TR) e remuneração adicional (os juros) por composição, não por soma simples. Hoje, com a Selic bem acima do gatilho de 8,5% ao ano, essa fórmula devolve 0,6721% ao mês, dado de 16/07/2026, isento de imposto para pessoa física.

Guarda três coisas: o número certo está sempre na página da poupança , com a data ao lado. A conta de 0,5% mais TR é composta, não somada. E o aniversário do seu depósito decide quando esse rendimento vira dinheiro de verdade na conta.

O resto (se vale a pena deixar dinheiro parado ali) eu já respondo sem rodeio nos dois textos linkados acima: quase sempre, não vale.

Fontes e referências

99 segundos

A semana da economia em 99 segundos

Toda sexta às 9h09, direto no seu e-mail: o que mexeu com o seu dinheiro, explicado sem jargão. Leitura de 99 segundos.

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